Estação Ferroviária

 

O desenvolvimento econômico e urbano do município de Carangola está profundamente marcado pela história da ferrovia no mesmo. A partir do desenvolvimento da cultura cafeeira, desde 1848, chega à cidade, em 1887, a ferrovia. A partir de um projeto original (de 1878) do Comendador José Cardoso Moreira, de construir uma ferrovia que ligasse Campos, no Rio de Janeiro, até Carangola, passando por Muriaé, projeto este que consegue, em 1878, uma subvenção do Governo Imperial para a sua realização (Estrada de Ferro Carangola). Tal projeto foi, porém, interrompido nos primeiros anos da década de oitenta do século XIX (provavelmente em 1884), quando seu traçado foi interceptado pela Estrada de Ferro Leopoldina, primeiro em Poço Fundo (Patrocínio do Muriaé), depois em Santo Antônio do Carangola (atual Porciúncula). Tal questão foi resolvida a partir do acordo celebrado pelas duas ferrovias, em 25 de outubro de 1885, no qual a primeira indenizou a segunda. Em 1888, foi comprada pela Estrada de Ferro Leopoldina. O certo é que, em 10 de julho de 1887, finda a construção das seções que chegavam a Muriaé e Carangola, respectivamente, em um trecho que passou a ser denominado de Estrada de Ferro Alto-Muriaé, chegava à cidade o primeiro trem, parando na então sede da Estação no município, depois transformada em Estação Ferroviária de Cargas.

A antiga Estação funcionaria como ponto de embarque e desembarque de passageiros e cargas até 1938, quando é inaugurada outra edificação para sediar o embarque e desembarque de passageiros. A construção desse novo prédio, atualmente funcionando como Estação Rodoviária, exemplifica bem não só a importância do município, mas também o do transporte ferroviário para a região, ainda na primeira metade do século XX. A primeira edificação foi ampliada na década de vinte, chegando a embarcar cerca de cem mil sacas de café em 1928. Em construção horizontal a Estação Ferroviária tem em sua fachada lateral esquerda a identificação da cidade “Carangola”, estrutura em tijolo dobrado, portas laterais largas, esquadrias e molduras em madeira, sua cobertura é composta por telhas francesas distribuídas em telhado de duas águas com cumeeiras paralelas à rua. A preservação é fundamental para a salvaguarda da memória carangolense. Foi tombada em 8 de junho de 2000, pelo Decreto n.º 2.528/2000. Está localizada na Rua Antônio Marques – Bairro Triângulo.